Bom Dia...Acorde!

 

Bom dia,
Acorde,
Estou te esperando,
Me der a mão e venha comigo...
Aqui eu fico imaginando,
O que teus olhos fechados não te deixam ver?

Estamos tão perto,
O mundo gira perfeito,
O sol brilha perfeito,
E o que eu faço contigo?

Bom dia,
Acorde,
Vamos acorde!
Pois o tempo não espera o próprio tempo,
O agora já se foi no instante que o percebemos,
Não há tempo a perder,
Nem o que se pensar,
Apenas abra os olhos...
Venha ver a vida como é bonita...
Colorida...
Mágica...
Fantástica...
 Mas de olhos cerrados o que se ver?

Acorde...
Perceba que a anergia que conecta tudo é frágil,
E ainda assim não percebemos como fugaz é a vida,
Efêmera,
passageira,
Como uma foto  instantânea,
De  beijo  que não se quer acabar...

Acorde...
Senão acordaremos velhos...
cansados ,
E  arrependidos de não termos vivido tudo Intensamente
Plenamente.

Helton Ojuara

Cinquenta Tons de Cinza


 
Hoje foi um dia estranho,
Acordei cansado apesar de ter dormido a noite quase toda,
Quase,
Uma criança chorava ao longe...
Fome?suja? Mãe descuidada?
Não importa muito.
Passei a noite QUASE toda em um sono fino,
Tão fino como uma película de celofane...
Acordei cansado...

Um dia inteiro,
Com o tempo parado em minha cabeça...
Um desanimo,
Um desarranjo,
Uma falta.
Um dia todo vivido,
E nada que tenho agora me interessa...

Cinquenta tons de cinza...
A vida deveria ser assim como o livro,
Sem graça por fora...
Bom por dentro...
Mas  a vida é um rascunho mal feito de um bom escritor...
Algumas vezes queremos ler.... outras... esquecer...
Outras  ainda  almejamos apenas conquistar...
Conquistar...
Mas Conquistar o que?

Acordei cansado,
E esse cansaço todo me deixa para baixo,
Pensativo,
Desanimado?
Não, desanimado não...
Aquele que tem esperança nunca desanima...
Esperança que é QUASE igual a fé,
Semelhante á acreditar...
Mas temos mais esperança quando estamos cansado...
Quando não depende da gente...
E quando não queremos  deixar por conta de Deus...

A criança parou de chorar lá por tantas da madrugada...
Sempre tive esperança que  ela parasse...
Até que algum silêncio se fez ouvir...
E ela finalmente parou de chorar.
Mas demorou...
Demorou Muito,
Tanto que ainda  a ouço  chorar na minha cabeça...
E assim fico,
Com cansaço todo que me toma,
Não sei se vem da noite mal dormida,
Ou de tudo aquilo que espero por ter alguma  Esperança...
Talvez fosse melhor ter fé.

Cinquenta tons de cinza...
Dormi a tarde,
Mas  ainda tenho a impressão
Que estou cinza por dentro...e por fora.

Helton Ojuara.



13- Em Busca do Último Beija-Flor Azul - Estrela Cadente

 

A noite escureceu sem estrelas,
Nem uma pequena,
Nem o menor risco luminoso no céu.
Um vazio enorme como tudo que nos cerca.

Pensei que  chegou a hora.
Finalmente...
De voltar ao que era antes.
Ao começo de tudo,
Por mais que um lugar pareça ser especial,
Nada é sem alguem que seja também especial.
Então para que ficar?
Não.
Não permanecerei..

O Velho eremita que vigia todo o mapa astral,
Apenas sorriu quando partir
Sabia que tinha chegado a hora de  voltar.
E como uma única folha neste lugar não cai
Sem que ele saiba... ou permita
Ele falou-me com os olhos...


- Então é agora?.
- é.
- Sabe o caminho?
- Sei o destino.
- E quem te guiará até ele?
- humm, não sei.  Talvez Alguma estrela cadente.
ao me chamar pelo nome...
ou que me faça  sorrir novamente.
- Então procure uma estrela diferente meu filho,
uma bem bonita, que tenha luz própria... azul.
porque neste teu caminho de volta
muitas pedras e perigo nele há.
- Como tudo na vida velho.
- Como tudo na vida filho.

E fui-me.
Quanta saudade há em tudo que deixo?
Mas tudo  que virá de bom e de ruim
Preencherá o vazio que hoje   existe...
Ou no peito
Ou no céu...
Ainda escuro do breu sem estrelas.

Helton Ojuará

Novos Horizontes.

 


Tenho que  partir.
Uma sensação crescente.
Como um rio que nasce pequeno,
E que vai ganhando força no seu caminho.

Tenho que partir,
Principalemente porque nada aqui me pertence.
Meus grandes motivos pra ficar,
Também são meus grandes motivos para ir.
Então o que fazer?
Desistir?

Tenho que partir,
E repito  várias vezes isto,
Para poder me conformar,
E quantos anos teria que repetir?
Quantas vidas viver?
Toda uma eternidade.

Eu tenho que partir....
Mas no fundo queria ficar.
Ficar muito.
E poder desfrutar.
Como se o ultimo dia,
Fosse sempre o Primeiro dia,
De uma vida que teima em ficar.

Helton Ojuara.


12-Em Busca do Último Beija-Flor Azul - Triste ou feliz?


 

Queria dizer que estava feliz...
Contente...
Alegre...
Mas isto não seria  uma verdade absoluta.
Neste mundo colorido,
Poucas coisas  são  tão preto e branco quanto eu.

Tudo muito no lugar,
Tudo muito perfeito.
O velho  bondoso e calmo
O lago límpido e cristalino,
Uma floresta encantada...
Quase mágica,
Tudo em um mundo criado,
Imaginado?
Neste real mundo meu,
 Apenas EU destoou de tudo.
A cada dia que vivo,
Não sei o quanto mais estou morto....

Talvez por isso,
Todas as noites me pergunto,
Quanto tempo permanecerei aqui.
Perdido.
Procurando algo,
Alguem?
Para finalmente mostrar-me um caminho.

Ainda lembro da vida que até outrora tinha,
Nuvens de memória em uma memória vaporizada.
Queria voltar?
Queria reviver?
Tudo passou
Assim como o tempo.
 Não volta mais.

Talvez seja a hora de reencontrar-me
De ir em busca de algo...
 Mas do que?!

Tudo tão calmo neste lugar calmo
Que a paz de tudo me incomoda.

Helton Ojuara














11-Em Busca do Último Beija-Flor Azul - Saber recuar.




E eu que achava que viver era o suficienfe.

A água límpida  e plácida do lago,
Contrastava com minha sujeira.
Uma sujeira como graxa de um motor velho,
Em todo corpo,
Impregnada como um pensamento que não sai da cabeça.

A água pura do lago não retira,
Aquilo que está Marcado por dentro,
E por mais que eu tente,
 Por mais que eu esfregue,
Isto se negava a sair de mim.

O velho  barbudo  somente observava,
Pouco falava,
Quase nunca se movia,
Mais  uma figura exótica
Entre tantas coisas exóticas daquele lugar.
Mundo colorido e calmo.

Uma semana perdido naquele local,
 E apenas ouvi alguns punhados de palavras dele,
O velho parecia esperar algo.
Sempre se alimentando,
Do jeito dele,
Observando-me como um professor observa o aluno,
Com Paciência e esperaça.

 E eu dentro do lago,
Lavamdo- me com folhas e pedras,
E a mesma sujeira,
As mesmas marcas...

-  Entao meu filho o que acontece?

A voz do velho ressoou  na minha cabeça,
Como um sino de igreja  no pensamento,
Olhei para ele...
Mas lá estava ele,
Parado,
Inerte,
Iluminado pela luz de um céu colorido,
De um mundo colorido,
Que não me pertence,
Talvez eu fosse a unica coisa suja e sem cor daquele local.

Desisti de tentar apagar as marcas...
Sair da água e vestir a velha roupa suja.

=Respirei fundo=

Talvez seja essa seja a lição de hoje,
Algumas coisas não mudam,
Por mais que tentemos.
As vezes esperar um outro momento
Seja mais sabio.

Sentei-me ao lado do velho,
Seu rosto plácido,
 E calmo,
Como o lago...

Fechei os olhos e respirei a paz de todo aquele lugar.

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