11-Em Busca do Último Beija-Flor Azul - Saber recuar.




E eu que achava que viver era o suficienfe.

A água límpida  e plácida do lago,
Contrastava com minha sujeira.
Uma sujeira como graxa de um motor velho,
Em todo corpo,
Impregnada como um pensamento que não sai da cabeça.

A água pura do lago não retira,
Aquilo que está Marcado por dentro,
E por mais que eu tente,
 Por mais que eu esfregue,
Isto se negava a sair de mim.

O velho  barbudo  somente observava,
Pouco falava,
Quase nunca se movia,
Mais  uma figura exótica
Entre tantas coisas exóticas daquele lugar.
Mundo colorido e calmo.

Uma semana perdido naquele local,
 E apenas ouvi alguns punhados de palavras dele,
O velho parecia esperar algo.
Sempre se alimentando,
Do jeito dele,
Observando-me como um professor observa o aluno,
Com Paciência e esperaça.

 E eu dentro do lago,
Lavamdo- me com folhas e pedras,
E a mesma sujeira,
As mesmas marcas...

-  Entao meu filho o que acontece?

A voz do velho ressoou  na minha cabeça,
Como um sino de igreja  no pensamento,
Olhei para ele...
Mas lá estava ele,
Parado,
Inerte,
Iluminado pela luz de um céu colorido,
De um mundo colorido,
Que não me pertence,
Talvez eu fosse a unica coisa suja e sem cor daquele local.

Desisti de tentar apagar as marcas...
Sair da água e vestir a velha roupa suja.

=Respirei fundo=

Talvez seja essa seja a lição de hoje,
Algumas coisas não mudam,
Por mais que tentemos.
As vezes esperar um outro momento
Seja mais sabio.

Sentei-me ao lado do velho,
Seu rosto plácido,
 E calmo,
Como o lago...

Fechei os olhos e respirei a paz de todo aquele lugar.

10- Em Busca do Último Beija-Flor Azul - Ter Paciência.

 


- Acorde!
- Acorde!

Uma ducha de agua gelada conectou  meus sentidos,
Senti engasgar ...
Então acordei da escuridão.
Uma imagem  borrada de alguem bem velho  se formava com dificuldade.
No fundo um Céu verde...
Um cheiro de relva e mato molhado.
Sentei...

A cabeça doía ... um tambor no juízo..
Dum...Dum... Dum.
Queria  perguntar onde estava,
Mas o velho falou antes...

- Essas passagem dolorosas,
Sempre deixam as pessoas  assim
- bebadas da realidade.
Mas você vai melhorar meu filho.

Olhei ao redor.
Uma área plana... Uma grama violeta que se estendia por toda minha visão,
Plantas... árvores coloridas ao redor.
Elas pareciam emitirem luz própria.

O velho sentou-se ao meu lado.
baixo, magro, cabelo e barbas brancas,
Um rosto seco,
Mas simpático...
Olhos grandes ... olhavam muito além de mim,

- Você está acabado meu filho..
Precisa se alimentar...
Para continuar  a jornada.


Olhei minhas mãos.... estavam sujas...
Como de um mendigo sem água...
Minhas roupas eram as mesmas .. mais ainda mais sujas do que as mãos.
Passei meus dedos sobre  minha cabeça...
Não percebi nada diferente... nem um sinal da queda.

- Onde estou? estou morto?

- Morrer é uma palavra muito forte.
Mas a resposta é sim e não.
Você está onde deveria estar.

- Como vim parar aqui?

O velho ainda sentado olhou tudo ao redor,
Depois fechou os olhos.
E respirou profundamente.

- Saber como chegou-se  de algum lugar
É mais importante do que saber o  que  deve-se fazer no local da chegada?
Tenha paciência...
Tudo será respondido no seu devido  tempo.
Agora vamos nos alimentar...
 

Durante alguns minutos ponderei sobre o local,
Ponderei sobre o velho...
Mas minha mente parecia a de uma criança que acabara de Nascer,.
Só vultos... vagas memórias e uma fome incontrolável.

- Pensei que fossemos comer... não vejo nada aqui?

O velho imóvel.
Uma  paz  transcendia  do seu semblante.
Olhos cerrados.
Sorriu levemente.

 - Aqui  não comemos,
 Nem  bebemos nada.
Nosso alimento é anergia.
Energia  que emana das coisas que nos cercam...
  • De nós mesmos..
Dos nossos pensamentos...
Cada uma alimenta-se daquilo que merece.
Aqui meu filho,
O que vemos  e o que somos é reflexo de nós mesmo.
Sei que nao está entendendo nada.
Mas tenha paciência..
Paciencia é a primeira Lição a ser aprendida,
Tenha paciência e tudo será respondido.
Tudo  acontecerá no seu devido tempo.
Agora feche os olhos
Respire,
Sinta
E  alimente-se...

Fechei os olhos e uma fome enorme ainda me consumia por dentro.

Helton Ojuara.



9-Em Busca do Último Beija-Flor Azul - Nuvens Negras no Céu




A caminhada mal começou,
E eu pressenti que havia algo estranho no ar.
Olhei  para o céu e  vi nuvens carregadas...
Negras
Cheias de Tristeza  e rancor.
Mais do que isso,
Existiam   nelas idéias contrárias as minhas.

Acelerei o passo,
Tentei adivinhar
O desejo que elas possuíam em chover..
Chover não - desabar,
Assim  percorrer  uma trilha de  pedras escorregadias
Em uma montanha alta,
Deixava de ser algo  cansativo,
Para se tornar algo potencialmente perigoso.

Não sei  se pelo ar escuro que essas nuvens deixavam  no ambiente,
Ou se pelo clima pesado que as futuras lágrimas,
Gotas das nuvens que se seguram  no ar,
Não sei pelo que mas lembrei do dia da minha morte.
Da dor ao morrer...
Ou do meu ressurgimento,
Nascer e morrer dói do mesmo jeito.
Choramos do mesmo jeito,
Motivos diferentes,
Dores iguais.
Cada dor causando estrago em algum lugar...

Nem bem terminei o pensamento e as primeiras gotas rasgaram o céu...
E  se estatelaram no chão seco da montanha.
E em segundos,
Como uma manada que estoura,
A Tempestade chegou com tudo.
Força e barulho,
Me fez sentir frio, dor, medo ..
Tudo ao mesmo tempo.

Procurei proteger os olhos,
Olhar perdido  em algo,
O mato que desenhava a trilha do caminho,
Também não se  conteve,
E deitou no chão graças ao vento  Trazido pela chuva.

Tudo parecia tão triste...
Mas mesmo assim tentei continuar..
Era preciso continuar...
Queria muito,
Almejava muito,

Mas como em uma peça de  Moleque,
A  vida também me pregou  uma.
Escorreguei...  senti o corpo  lutar contra a gravidade...
Inútil Lutar contra a natureza,
Queria me lembrar de mais alguma coisa...
Mas nos momentos  que se seguiram,
Tombei no chão,
 E golpeei com toda ferocidade  minha cabeça contra  a rocha.

Maldição.

Queria  dizer que sentir dor...
...
Novamente..
Mas como não tinha mas nada a perder...
Senti apenas uma paz...
E tudo escureceu junto com as nuvens do céu.

Helton Ojuara

8- Em Busca do Último Beija-Flor Azul - O Musgo

 

Difícil pensar ...
O ar rarefeito da montanha  deixa-me  lento.

Pensamentos lentos...
Vou subindo passo por passo,
Uma trilha estreita cheias de pedras...
Nem olho para tras...
Uma ramagem pequena  forma um corredor,
Um caminho de pedras de mato...
Duro, invisível... subindo sempre pro alto.

Minhas pernas doem,
Me carrego com dificuldades,
Algumas flores  deixam o caminho mais suave...
Mais suportável.
Mas nenhuma é a flor que eu quero.
Então continuo subindo.

Escrever é dificil.
Pensar é dificil.
Apoio-me em uma pedra.

Vejo com ela é é fria.
Sem vida?
Se tudo que tem alguma energia tem vida....
Então  uma pedra também tem.
Justo.
Justíssimo.

Mas na pedra,
Se olharmos direito há um musgo,
Que tenta brotar sabe Deus lá da onde,
Surgindo do nada,
Preenchendo um vazio com algo.
Preenchendo  o algo com uma tentativa de vida.

Musgo fino e frágil,
Presistindo em nascer de uma pedra quase sem vida.
É quando penso nessas coisas que desistir se torna mais difícil.
E continuo a andar.




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